Mundo
Exploração espacial. "Portugal tem um papel extremamente importante no ambiente europeu"
A missão Ártemis II, a geopolítica do espaço e ainda o papel da Europa e de Portugal na exploração do cosmos foram alguns dos temas abordados na entrevista a Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa.
A Grande Entrevista desta quarta-feira teve como convidado o presidente da Agência Espacial Portuguesa, numa altura em que a missão Ártemis II está perto do fim. No entanto, Ricardo Conde sublinha que falta ainda ultrapassar “um dos momentos críticos”: a reentrada na atmosfera.
Se a saída é desafiante, também a reentrada na Terra pode trazer várias complicações, importando para isso o escudo de proteção térmica, o ângulo de entrada, entre outras. “Tem tudo de funcionar muito bem”, resumiu o perito.
Explicou também como esta operação faz parte de uma estratégia que irá permitir um mapeamento profundo da Lua. Conhecimento científico, mas também um “deslumbramento” que nos mostra a nossa “fragilidade” e a nossa “irrelevância” no cosmos, aponta Ricardo Conde.
No entanto, os desafios para a exploração espacial enfrentam-se também na biologia humana, sendo a Lua um local “inóspito”, “hostil” e “inabitável”. Por outro lado, a mera permanência em órbita espacial traz “mazelas irreversíveis” ao corpo a partir de um determinado período. Só será possível alcançar o humano como espécie “cósmica” através da tecnologia, com a alteração genética, argumenta o responsável. Nesse ponto, acredita que a combinação entre a Inteligência Artificial e a Computação Quântica será decisiva para fazer transformações necessárias, até para suportar biologicamente as mudanças provocadas pelas alterações climáticas dentro de algumas décadas. “Vamos viver num planeta diferente”, resumiu Ricardo Conde.
Nesta entrevista conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, o presidente da Agência Espacial Portuguesa salientou também o momento atual em que a corrida ao espaço decorre sobretudo entre Estados Unidos e China. E para além da questão geopolítica, há também o interesse na futura extração de recursos.
“Estamos ainda talvez a uma década de isso se tornar realidade”, estimou. Os protagonistas poderão extrair recursos através de uma “componente robótica”, e, neste ponto, não são apenas os Estados, mas também as grandes empresas que “estão a definir as grandes tendências da nova economia do espaço”.
Com os conhecimentos crescentes em relação à Lua, há ainda muito caminho a percorrer até chegar a Marte, um planeta com “uma história geológica muito parecida com a Terra” mas que é ainda impensável visitar. “É uma epopeia”, uma viagem “se calhar, só com bilhete de ida”, dada a enorme distância e as dificuldades nas comunicações, frisou Ricardo Conde.
O presidente da Agência Espacial Europeia destacou, por fim, o papel da Europa na exploração espacial, mas também em particular os desenvolvimentos em Portugal, considerando que o país "tem um papel extremamente importante no ambiente europeu”.
“Fizemos um percurso extraordinário nos últimos 26 anos”, vincou, recordando os primeiros passos com o primeiro satélite em 1993 até toda a preparação que levou à entrada de Portugal na Agência Espacial Europeia, em 2000.
Mais recentemente, foi criada em 2018 a Estratégia Nacional para o Espaço e, no ano seguinte, a Agência Espacial Portuguesa. Nos últimos anos “multiplicaram-se o número de empresas” ligadas ao espaço em Portugal.
Ricardo Conde destaca o potencial de Portugal na fabricação de satélites ou a possibilidade de acesso ao espaço através de território português, nomeadamente pela ilha de Santa Maria e, num plano mais alargado, aponta para as capacidades de exploração espacial como um meio de “dar resposta a uma das grandes dimensões de soberania e resiliência da Europa”.
Se a saída é desafiante, também a reentrada na Terra pode trazer várias complicações, importando para isso o escudo de proteção térmica, o ângulo de entrada, entre outras. “Tem tudo de funcionar muito bem”, resumiu o perito.
Explicou também como esta operação faz parte de uma estratégia que irá permitir um mapeamento profundo da Lua. Conhecimento científico, mas também um “deslumbramento” que nos mostra a nossa “fragilidade” e a nossa “irrelevância” no cosmos, aponta Ricardo Conde.
No entanto, os desafios para a exploração espacial enfrentam-se também na biologia humana, sendo a Lua um local “inóspito”, “hostil” e “inabitável”. Por outro lado, a mera permanência em órbita espacial traz “mazelas irreversíveis” ao corpo a partir de um determinado período. Só será possível alcançar o humano como espécie “cósmica” através da tecnologia, com a alteração genética, argumenta o responsável. Nesse ponto, acredita que a combinação entre a Inteligência Artificial e a Computação Quântica será decisiva para fazer transformações necessárias, até para suportar biologicamente as mudanças provocadas pelas alterações climáticas dentro de algumas décadas. “Vamos viver num planeta diferente”, resumiu Ricardo Conde.
Nesta entrevista conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, o presidente da Agência Espacial Portuguesa salientou também o momento atual em que a corrida ao espaço decorre sobretudo entre Estados Unidos e China. E para além da questão geopolítica, há também o interesse na futura extração de recursos.
“Estamos ainda talvez a uma década de isso se tornar realidade”, estimou. Os protagonistas poderão extrair recursos através de uma “componente robótica”, e, neste ponto, não são apenas os Estados, mas também as grandes empresas que “estão a definir as grandes tendências da nova economia do espaço”.
Com os conhecimentos crescentes em relação à Lua, há ainda muito caminho a percorrer até chegar a Marte, um planeta com “uma história geológica muito parecida com a Terra” mas que é ainda impensável visitar. “É uma epopeia”, uma viagem “se calhar, só com bilhete de ida”, dada a enorme distância e as dificuldades nas comunicações, frisou Ricardo Conde.
O presidente da Agência Espacial Europeia destacou, por fim, o papel da Europa na exploração espacial, mas também em particular os desenvolvimentos em Portugal, considerando que o país "tem um papel extremamente importante no ambiente europeu”.
“Fizemos um percurso extraordinário nos últimos 26 anos”, vincou, recordando os primeiros passos com o primeiro satélite em 1993 até toda a preparação que levou à entrada de Portugal na Agência Espacial Europeia, em 2000.
Mais recentemente, foi criada em 2018 a Estratégia Nacional para o Espaço e, no ano seguinte, a Agência Espacial Portuguesa. Nos últimos anos “multiplicaram-se o número de empresas” ligadas ao espaço em Portugal.
Ricardo Conde destaca o potencial de Portugal na fabricação de satélites ou a possibilidade de acesso ao espaço através de território português, nomeadamente pela ilha de Santa Maria e, num plano mais alargado, aponta para as capacidades de exploração espacial como um meio de “dar resposta a uma das grandes dimensões de soberania e resiliência da Europa”.